Inacreditável é a palavra que define o que eu vou contar. Lembram o caso da Juliana Garcia dos Santos, de 35 anos, que foi brutalmente espancada pelo ex-companheiro, o ex-jogador de basquete Igor Eduardo Pereira Cabral, com mais de 60 socos dentro de um eleveador e teve os ossos do rosto gravemente fraturados? Um caso que chocou o Brasil e até mesmo a juíza que esteve à frente da audiência de custódio do camarada. Mas, quando parecia que nada mais poderia piorar, a situação piora.
Após o vazamento de um vídeo íntimo, Igor passou a receber mais de 1.500 e-mails de mulheres que, mesmo diante de tamanha violência cometida, decidiram se declarar para ele. É difícil de acreditar, mas é real! De acordo com o portal EM OFF, as mensagens enviadas pelas mulheres são de tons românticos e sexuais, tudo isso pois Igor teve um vídeo vazado se relacionando com outro cara. Algumas disseram que ficaram “encantadas”, outras oferecem apoio emocional e declaravam que “ele merece amor e compreensão”. Como assim???
Algumas inclusive chegaram a pedir ajuda para visitar Igor ou falar com ele.
A história pode até ser duvidosa. Mas esse comportamento existe e especialistas associam à hibristofilia, uma condição em que há atração por pessoas que cometeram crimes violentos. Diversas pesquisas e livros já publicaram entrevistas e estudos sobre “Mulheres que se apaixonam por criminosos que apareceram na TV”.
Um exemplo real foi do ‘maníaco do parque’. Considerado o maior serial killer do Brasil, Francisco de Assis Pereira foi condenado a mais de 280 anos de prisão pelo assassinato de sete mulheres.
Em entrevista ao jornal O Globo, Maria Helena de Souza Pereira, de 77 anos, mãe do criminoso afirma que o filho recebe cartas e alimentos na prisão, dados por mulheres que se dizem “apaixonadas” por ele. “Essas mulheres o visitam na cadeia. Elas me ajudam com alimentos e repasses financeiros. Durante o tempo em que o visitei, havia mulheres atrás dele. Algumas quiseram fazer visita íntima, mas o juiz não permitiu”, contou.
De acordo com o psiquiatra Bruno Brandão, ouvido pelo Jornal O TEMPO, esse mecanismo estaria “parcialmente envolvido nos relacionamentos com criminosos”, em que a ambivalência do medo provoca, ao mesmo tempo, tensão e curiosidade. Um ramo das ciências psicológicas entende que a mente humana opera por um princípio chamado de “viés de negatividade”, segundo o qual haveria “um interesse natural pelos aspectos mais sombrios da nossa existência”.
Na década de 1950, o psicólogo e sexólogo neozelandês John Money identificou que a hibristofilia afeta, em maior proporção, as mulheres heterossexuais. Ainda não existe uma única explicação para isso, sabe-se apenas que aspectos biológicos, psicológicos e sociais interagem de forma complexa. Contudo, o perfil predominante é de mulheres com antecedente de abusos e sofrimentos na infância, podendo ser, inclusive, pessoas independentes e bem sucedidas profissionalmente.
A hibristofilia é mais comum nas mulheres, porque o número de homens que praticam crimes violentos é muito maior em comparação ao gênero oposto. Portanto, eles também podem ser acometidos por esse distúrbio.
Alguns perfis de mulheres que se envolvem com criminosos:
- As que romantizam: consideram que a falta de amor foi o estímulo para o crime. Assim, o amor delas fará com que a pessoa se regenere (em geral, são pessoas que sofreram abusos no passado);
- As que se excitam: estar com alguém que transgride gera um tipo de excitação;
- As que buscam fama: quando se trata de um criminoso notório;
- As que se identificam com o criminoso: ou seja, alguém que está fazendo aquilo que ela mesmo gostaria de fazer.
Um fenômeno chocante, mas não novo!

