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quarta-feira, setembro 16, 2026
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Advogado de feminicida parece atribuir a culpa à vítima, mas a culpa não é dela!

Eu li uma reportagem no site de notícias TopMídiaNews, que o advogado de Fausto Junior Aparecido de Oliveira, de 31 anos – que matou a tiros sua ex-esposa Miriele da Silva Santos na madrugada do último sábado (22) em Água Clara -, está literalmente culpando a vítima pelo crime cometido pelo seu cliente.

Ele alega à reportagem que os tiros foram acidentais (ok, faz parte da defesa, está sendo pago para isso), mas aí colocar em questão a presença da jovem na casa do ex-companheiro, mesmo estando em outro relacionamento, já foge da ética da profissão, afinal está defendendo o direito do seu cliente ou papo de comadre para acobertar um crime hediondo?

A vítima não está mais aqui para se defender, né? Então qualquer discurso é válido. Declarações como as desse advogado à imprensa, que atribuem à vítima a culpa pela sua morte, contribuem com a chamada “cultura do feminicídio”, na qual a violência doméstica contra as mulheres é normalizada na mídia e na cultura popular, diminuindo a responsabilidade do feminicida/agressor e transferindo-a para a vítima.

Embora todos os cidadãos tenham amplo direito à defesa, é importante que exista ética no processo. E em casos de feminicídio, é preciso pensar em quem está na plateia e até que ponto a defesa, diante de testemunhas e familiares, atenta contra a memória da pessoa que morreu. Não se pode colocar a vítima no banco dos réus!

Esse advogado inclusive alega que Miriele era uma pessoa extremamente nervosa, ciumenta. Ao meu ver, determinadas linhas de argumentação da defesa, como essa, ultrapassam os limites éticos. Argumentação leviana que defende que a mulher merece ser violentada, agredida ou morta por uma suposta provocação. É papel do Ministério Público, titular da ação penal, descontruir esses argumentos que se valem do comportamento da vítima para justificar a violência.

Agressão, abuso, estupro, assassinato. Cotidiano violento de tantas mulheres que contamos através de casos reais. Todos, fruto amargo de uma sociedade machista e patriarcal!

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