Thainara Kaufmann Firmino (21), mulher que torturava o próprio filho de 3 anos, o deixando em condições severas de desnutrição e desidratação, na cidade de Anastácio, foi presa novamente nesta quinta-feira (06) por determinação judicial. Ela também está proibida de se aproximar da criança.
Segundo informações da Polícia Civil, a autoridade policial solicitou a prisão preventiva de Thainara, porém o pedido foi indeferido pela Justiça. Contudo, desde sua soltura, novos elementos surgiram, levando a Polícia Civil a representar novamente pela prisão da investigada. Desta vez, o pedido foi aceito pelo juiz da comarca de Anastácio.
O fundamento para a prisão foi principalmente o depoimento do médico responsável pelo atendimento da criança no hospital de Anastácio. O profissional relatou que a mãe não levou espontaneamente a criança no hospital, tendo, na verdade, sido “escoltada” por populares que a obrigaram levar o filho para atendimento médico. A criança apresentava sinais alarmantes de desidratação, desnutrição severa e estava com múltiplos ferimentos, incluindo queimaduras e marcas de ter sido mantida amarrada pelos punhos. Ainda, informou que, de acordo com seus conhecimentos, se a criança tivesse ficado mais um dia sem atendimento, teria ido a óbito.
Desta forma, a Delegada responsável pela investigação, Tatiana Zyngier e Silva, após a coleta das novas evidências, entendeu que o caso deveria ser tratado como tentativa de homicídio e não apenas como maus tratos, considerando que as ações de Thainara colocaram a vida do filho em risco iminente. As agressões físicas e psicológicas contra a criança não foram episódios isolados, mas sim um padrão constante de abusos, sendo que em nenhum momento, a investigada demonstrou arrependimento ou remorso por suas atitudes.
A delegada destaca que o homicídio não é um crime limitado a uma única forma de execução, como, por exemplo, o disparo de uma arma contra uma vítima. Segundo ela, existem diversas maneiras de tirar a vida de alguém, e muitas vezes essas formas são menos óbvias, mas igualmente letais. No caso de uma criança, que depende totalmente dos cuidados de adultos para sua sobrevivência, a negligência pode ser tão fatal quanto um ato de violência direta. Deixar de alimentar, de fornecer água, ou de proporcionar o atendimento básico necessário para sua manutenção da vida configura, sim, uma forma de homicídio. Quando se privam as necessidades mais elementares de uma criança — que não possui meios para se cuidar sozinha — o resultado pode ser fatal, como demonstrado claramente no caso em questão.
A intervenção de pessoas que forçaram a Thainara a levar a criança ao hospital foi crucial para evitar um desfecho fatal, e a sua prisão foi um passo importante para responsabilizá-la pelos crimes cometidos.

