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quarta-feira, setembro 16, 2026
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Cartilha inédita orienta sobre gestação de homens trans em Mato Grosso do Sul

Ir a um ginecologista ou fazer um pré-natal, por exemplo, podem até ser situações corriqueiras para pessoas cisgênero, no entanto, quando se trata de um homem trans, a realidade é árdua e repleta de constrangimentos, já que o órgão sexual e reprodutor é feminino.

Então, intitulada “Cuidando com Respeito — Gestação de Homens Trans e Transmasculines”, uma cartilha foi desenvolvida pelo Ibrat-MS (Instituto Brasileiro de Transmasculinidades no MS) com o apoio de parceiros. O documento, inédito no Estado, surgiu a partir de inquietações pessoais e da percepção de inúmeras lacunas no cuidado à saúde dessa população.

Luan Henrique da Silva Souza, assessor técnico da Subsecretaria de Políticas Públicas LGBTQIAP+ e ex-secretário do Ibrat-MS, liderou a criação do material. Homem trans, ele conta que se envolveu no tema por vivência pessoal. “Enquanto homem trans com interesse em passar pelo processo de gestação, percebi que existe uma carência enorme de informações sobre isso”, relata.

A ideia germinou em 2023, durante um simpósio na Defensoria Pública de MS, onde o Ibrat trouxe ao Estado o pesquisador Dan Caio Lemos, autor de um artigo que compara a realidade da gestação de homens trans no Brasil e no Canadá. “Ali eu vi que o Brasil carece de dados, e que a gente precisa falar disso aqui no Estado e criar um material de base’”, explica Luan.

A cartilha foi construída em articulação com outros profissionais trans da saúde, com atuação na área de enfermagem e assistência social. “Eles deram um respaldo técnico fundamental, principalmente para garantir que fosse um material didático e correto”, afirma.

O conteúdo da cartilha é dividido em seções que explicam sobre transexualidade e transmasculinidade, como se dá a possibilidade de gestação, e cuidados essenciais durante todo o processo, desde a decisão, passando pela gestação, parto e pós-parto.

A publicação também aborda orientações para profissionais da saúde, incentivando uma escuta ativa, o uso de linguagem inclusiva, respeito ao nome social e atenção a protocolos específicos.

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